José Amador dos Reis

1926|1929

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Reis, José Amador dos (1891-1935)
Primeiro brasileiro a ser ordenado como pastor adventista. Nasceu no dia 15 de novembro de 1891, em lar humilde de campesinos que habitavam os férteis campos de Rolante, em Santo Antônio da Patrulha, RS. Era filho de Luduvina e Rodrigo Reis, e desde cedo demonstrou muita vocação pelas coisas religiosas. De família católica, aprendeu a rezar e apreciava ouvir a mãe contar histórias de seus antepassados.

Por volta do ano de 1904, quando tinha apenas 13 anos, a mensagem adventista começou a penetrar em sua cidade natal. Levantou-se ali forte oposição por parte dos habitantes, chegando alguns a impedir a realização do batismo. O pastor oficiante teve que fugir protegido por autoridades. Porém, a despeito das barreiras levantadas, muitas pessoas sinceras aceitaram a mensagem e entre elas, estava a família de José Amador dos Reis.

Desejoso de aprender novas coisas, nessa mesma época, José começou a freqüentar a escola pública. Alguns anos depois, foi organizada uma Escola Adventista em Rolante, e ele começou a freqüentá-la por algum tempo, indo, posteriormente, para Cantagalo, distante alguns quilômetros.

No início do ano de 1911, com 19 anos de idade, recebeu um convite para tornar-se colportor e, tendo aceitado, seguiu para o trabalho com Henrique Tonjes, diretor de colportagem do Rio Grande do Sul.

O campo apresentou muitas dificuldades, desde a falta de transporte até intolerância e falta de hospitalidade com que eram tratados os colportores que vendiam literatura cristã. Entretanto, o entusiasta colportor palmilhou as terras gaúchas, em lombo de animais, atravessando campinas, subindo e descendo serras por dois anos. Ao longo de seu trabalho, colheu ricas experiências que lhe seriam úteis em seu futuro ministério.

Em 1913, o pastor Emanuel C. Ehlers assumiu a direção do campo gaúcho e juntamente com os demais administradores locais fez um convite a Amador dos Reis para que trabalhasse como instrutor bíblico em Porto Alegre, RS.

Casou-se com Amélia Ritter, no dia 21 de setembro de 1914, antes de completar dois anos de atividades, em Porto Alegre. O casamento realizou-se em Taquara, RS, e da união conjugal nasceu Romeu Ritter dos Reis, único filho do casal.

Em 1916, após empreender longas viagens pelo interior do Estado, visitando diversos grupos e igrejas, recebeu sua credencial de ministro licenciado, ao mesmo tempo em que foi nomeado membro da comissão de planos da Conferência do Rio Grande do Sul. Em 1917, preparou-se para o ministério no Seminário Adventista, fundado em 1915 pelos pastores John Boehm e John Lipke. Retornando ao Sul, continuou suas andanças pelo campo, dirigindo-se a Cruz Alta. Sem nenhum auxiliar, ali realizou uma série de conferências lançando as bases da Igreja Adventista local. Com o passar do tempo, vieram os frutos do trabalho e o pastor Rockel batizou 14 pessoas como resultado da obra empreendida.

Foi ordenado ao ministério no dia 10 de abril de 1920, durante a realização da 14ª Assembléia do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre. O sermão foi proferido pelo pastor W. E. Howell, representante da Associação Geral; a oração de consagração e imposição das mãos foram partes desempenhadas pelo mesmo pastor, auxiliado por J. W. Westphal e John Lipke. Pela primeira vez em terras brasileiras um obreiro nacional era consagrado para a pregação do evangelho e para a administração dos ritos da igreja.

Após sua ordenação, residiu ainda um ano em Cruz Alta, fundando-se ali uma escola adventista, onde sua esposa era a professora. Depois, transferiu-se para Santa Maria, e viajou seguidamente para diversas partes do Estado. Realizou batismos em Botucaraí, Três Vendas, São Vicente, Jaguari, Palmeiras das Missões e São Borja. Uma das preocupações do pastor Amador dos Reis era erigir igrejas por onde quer que passasse.

Em 1926 foi chamado pela Associação Paulista. Realizou uma série de conferências auxiliado pelo jovem evangelista Jerônimo Garcia e pela obreira bíblica Iracema Zorub, em um pavilhão de lona no Bairro do Brás, na capital paulista. Como resultado, foi erguida no local uma igreja. A mesma tenda evangelística foi mudada para a Vila Mariana, onde foi construída a igreja de Jabaquara que passou a congregar os adventistas daquele bairro.

Na Travessa São João, o velho salão alugado tornava-se acanhado para abrigar todos os membros interessados que se reuniam para os cultos. Cogitou-se a idéia da construção de uma igreja no centro de São Paulo a fim de dar melhores condições aos crentes, para adorar a Deus. O pastor Reis tornou-se ardoroso defensor da idéia e não poupou esforços no sentido de torná-la realidade. Deste sonho nasceu a Igreja Central Paulistana, situada na Rua Taguá 88, no Bairro da Liberdade.

Em 29 de dezembro de 1929, começou a sentir os primeiros sintomas da doença que minaria sua saúde. Durante o tempo que trabalhou como colportor na campanha gaúcha, muitas vezes expôs-se aos rigores do inverno, apanhando chuva, dormindo em ambientes precários e alimentando-se frugalmente.

Por aqueles dias realizava-se uma quadrienal da União Sul-Brasileira no Seminário Adventista (atual Unasp-SP). No decorrer de uma reunião, o pastor Reis foi acometido por uma febre muito elevada. Conduzido às pressas para a cidade, recebeu a visita de um especialista que afirmou tratar-se de um caso de tuberculose. Tornou-se necessário o afastamento do trabalho que ele tanto amava. Passou algum tempo na estância mineira de Caldas, procurando um clima adequado para seu restabelecimento. Mais tarde, mudou-se para São José dos Campos, cidade situada no Vale do Paraíba, no Estado de São Paulo, onde recebeu tratamento em um hospital evangélico.

Ao findar o ano de 1929, retornou ao recanto em que nascera. Tempos depois mudou-se para Gramado e depois fixou residência em Canela, cidades do seu Estado natal. Por essa época obteve acentuada melhora de saúde.

Durante esses anos de reclusão, devotava seus momentos ao estudo da Bíblia e dos livros do Espírito de Profecia, bem como a dar estudos bíblicos a todos quantos manifestavam interesse.

Com o passar do tempo, a moléstia se agravava a despeito do tratamento que se submeteu. Os primeiros rigores do inverno do ano de 1935 fizeram-no piorar consideravelmente. Na tarde do dia 23 de maio de 1935, ao receber visitas de seus irmãos, pediu-lhes que cantassem alguns hinos, dentre eles, aquele que diz: "Espero a manhã radiosa, o bendito alvorecer", e lessem algumas passagens bíblicas. Emocionados, os visitantes cantaram e leram a Bíblia. Faleceu às 22:40 daquele mesmo dia e foi sepultado no Cemitério dos Pioneiros, em Rolante, RS.

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